Cerca de 32% dos cidadãos europeus não teria como pagar uma despesa financeira inesperada, como substituir a máquina de lavar a roupa. E Portugal está pior do que a média da UE neste indicador.

Um em cada três cidadãos da União Europeia é incapaz de fazer face a uma despesa financeira inesperada, ou 32% da população, uma capacidade considerada “indispensável” no atual contexto de choque económico causado pela pandemia. E, neste campo, Portugal está pior do que a média europeia.

Os dados do Eurostat mostram que é na Croácia que mais cidadãos são incapazes de fazer face a uma despesa financeira inesperada. Portugal também está na “metade” pior da UE, posicionando-se pior do que a Eslovénia, mas melhor do que a Hungria. Em sentido inverso, entre os 27 países do bloco, a situação é mais favorável em Malta (15%):

Segundo o Eurostat, os cidadãos nestas condições “não seriam capazes de fazer face aos custos, por exemplo, de uma cirurgia, de um funeral, ou de substituição de uma máquina de lavar a roupa ou de um carro em 2019”.

Ora, “devido à quarentena implementada em todo o mundo em 2020 para abrandar a rápida propagação do coronavírus, a capacidade de fazer face a despesas financeiras inesperadas é crucial, especialmente em caso de perda de rendimentos”, aponta também aquele organismo.

No entanto, a média europeia de 32% da população nestas condições representa uma redução face aos 40% registados em 2012, ano em que este indicador atingiu o pico, logo após a grande crise financeira. Por isso, o Eurostat nota também que, desde então, a capacidade de os cidadãos europeus suportarem despesas financeiras inesperadas “melhorou de forma notável”.

Em 2020, ano a que se referem os novos dados, a incapacidade de suportar estas despesas foi registada nas “famílias” compostas por uma só pessoa (40%), e “particularmente” entre as famílias de uma pessoa com um filho (56%). Mais mulheres solteiras (43%) do que homens solteiros (36%) encontravam-se nesta situação, refere ainda o Eurostat.

Em contrapartida, o organismo oficial de estatística da UE registou uma situação mais favorável entre as famílias com dois adultos, em que apenas 25% não tinha como fazer face a um encargo deste tipo. Esse indicador era de 28% para as famílias compostas por dois adultos e um filho dependente e 26% no caso de dois filhos dependentes.